O Adolescente e o Mundo
Armando Tambelli A necessidade de colocar nossos alunos em contato com as contradições, os personagens e as antigas e novas formas de organização da sociedade levou a Escola da Vila a desenvolver projetos na área social. Essa necessidade demonstra-se urgente, quando consideramos a rapidez das mudanças e do que acreditamos importante como parte da formação humana, acadêmica e profissional. Nesse sentido a escola vem propondo projetos de convivência e investigação junto a entidades que realizam trabalhos sociais ou de assistência. De início, promoveram-se encontros com os alunos para se detectarem os temas a ser abordados, selecionando-se entidades que atuam nessas áreas escolhidas e discutindo-se sobre como trabalhar. Pretendendo que o projeto não se resumisse apenas a visitas, mas que estas fossem uma etapa de sensibilização, estabeleceu-se também como objetivo mais permanente a reflexão e construção conjunta de soluções e participação em atividades já existentes, considerando os problemas cotidianos de creches, asilos, moradores de rua, pessoas portadoras de deficiências, etc. As 8as, por exemplo, visitaram o asilo Santa Tereza, onde foi possível conviver com 100 idosos que não mantinham contato com seus familiares. Os alunos conheceram seus problemas, os problemas de quem cuida deles, a política de assistência a esta idade e, principalmente, como mínimos gestos (como comparecer a uma festa Junina promovida no asilo) têm efeito de valorização para aquelas pessoas. Ainda nos exemplos, os alunos de 5ª e 8ª séries puderam conhecer e conviver com crianças abandonadas portadoras de hidrocefalia. Trata-se obviamente de uma realidade difícil, porém foi muito interessante observar a capacidade de interação demonstrada por eles.
O foco principal, portanto, é a sensibilização para uma participação mais ativa, construtiva e solidária dos nossos alunos na solução de problemas reais na escola, na comunidade e na sociedade. Já no EM, esta prática mais espontânea dá lugar a formas estruturadas de ação, como contribuição formadora para um olhar mais crítico, tanto nos aspectos teóricos, quanto nas práticas sociais, com seus protagonistas e seus antagonismos. O que se pretende com os projetos é oferecer aos alunos uma melhor condição de leitura e decifração do mundo em que vivem. Destaca-se, nesta fase, a preocupação em ajudar a refletir, instruindo com relação a uma escolha pessoal e profissional, e a uma forma e caminho para se inserir de maneira socialmente criativa e transformadora. O que se observa é que esta prática é componente obrigatório para o sucesso de um projeto educativo com significado, e para a manutenção da coerência pedagógica da Escola. Nesse sentido, o que acontece no EF de forma voluntária se reorganiza no EM num rol de estudos e visitas, abrangendo a observação ou convivência com diferentes grupos e instituições, nos seus ambientes e com suas atribuições, práticas e visões. O objetivo é refletir sobre a vivência, a organização e o funcionamento desses grupos, colocados no mais das vezes em situações opostas no espectro social, com funções e significados diferentes, mas fazendo parte da teia de relações da sociedade. O centro desta tarefa pedagógica de inserção é a sistematização e a articulação das experiências e práticas destes personagens e instituições sociais, com a percepção e sensibilização provocadas nos alunos, em grupos e individualmente. Volta à página inicial da Revista Vila XXI - Imprime essa Página |