Revista Vila XXI  

Educação Física


Brincando e Aprendendo

Um novo olhar sobre as atividades físicas desenvolvidas na escola

Marcos Santos Mourão e José Plácido Nogueira

Há 15 anos, a Escola da Vila privilegia o brincar, na área de educação física, para o conhecimento sobre o corpo e o movimento. Nossos alunos, das classes de 3 anos até os grupos finais do Ensino Fundamental, são prova de que é possível ter uma relação saudável com o corpo e com o movimento, sem precisar ser atleta; que é possível brincar quando se tem 13 anos ou mais e que é possível ter uma recordação prazerosa das aulas de educação física.

Quando a Escola da Vila começou a falar em jogo como um conteúdo de aprendizagem escolar, esta proposta era confundida com mera recreação, sem compromisso com a aprendizagem motora e com a técnica das habilidades específicas dos esportes. Tradicionalmente, o jogo vinha sendo tratado como uma preparação para atividades pré desportivas, ou ainda como um momento de folga para os alunos e professores. 

A Escola da Vila percebeu que, para aprender a ser um jogador competente, a criança, ainda bem pequena, precisa conhecer um mundo de movimentos e procurar compreendê-los. As aulas antigas de E.F. baseavam-se na prática precoce de exercícios para a atividade esportiva, desconsiderando a necessidade da brincadeira e do conhecimento corporal.

O treinamento precoce, que focaliza apenas as práticas esportivas competitivas, leva os alunos a reproduzirem uma série de gestos, na maioria das vezes pouco compreendidos e sem contexto de uso. Não tem, como resultado, alunos mais competentes fisicamente. Nessas práticas, as crianças não participam mais das aulas, não ficam mais felizes, não se respeitam mais. Aos poucos foi se percebendo que a opção metodológica pelo jogo e pelo lúdico possibilita desenvolvimento integral e real do aluno.

Competir: Sim ou Não?

Para a Escola da Vila, não há por que ser contra nem a favor da competição. Ela existe e há possibilidades para todos aprenderem com as atividades competitivas. Aqueles que competem, cooperam também. Cada um coloca em jogo o que tem de melhor a oferecer. As comparações são inevitáveis, porém todos podem avançar com elas. Aqueles que jogam, não jogam uns contra os outros e sim uns com os outros; portanto, são parceiros. As atividades competitivas oferecem subsídios para lidar com a possibilidade de vitória e derrota, porque tão importante quanto saber perder é saber ganhar, e o melhor de tudo é jogar.


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