Debater é Preciso
Ivone Domingues e Oldimar Pontes Cardoso Uma pessoa que não sabe debater idéias está condenada a aceitar passivamente as normas estabelecidas por aqueles que a cercam. O uso da palavra pública é a principal ferramenta do indivíduo na administração de seus conflitos com a sociedade, presentes nas mais variadas situações de comunicação da vida pública: escola, trabalho, administração ou política. Foi acreditando nisso que a Escola da Vila incluiu a prática de debates em seu currículo como competência a ser desenvolvida pelos alunos nas mais variadas disciplinas. Ensinar a debater na escola também se presta a modificar a cultura vigente em relação aos debates, calcada em modelos veiculados pela mídia, nos quais, muitas vezes, os debatedores se agridem e lançam mão de quaisquer artifícios para derrotar seus adversários. O debate praticado na escola não visa a escolha de ganhadores e perdedores, mas o enriquecimento mútuo de opiniões.
Falar dentro do assunto, esperar a sua vez, fazer-se entender, complementar as idéias dos colegas são formas gradativas de participação nas discussões que vão alicerçar, mais tarde, a apropriação dos gêneros orais voltados à vida pública, no sentido mais amplo do termo, entre as quais encontra-se o debate. Entre a 7ª série do ensino fundamental e o 3º ano do ensino médio, variadas atividades de debate possibilitam aos alunos desenvolverem as habilidades de argumentar, contra-argumentar e ouvir o outro. Isso lhes permite compreender posições diferentes das suas e defender suas próprias opiniões, integrando às suas reflexões diversos pontos de vista. Como qualquer gênero discursivo a ser aprendido, é necessário o contato com bons modelos. É imprescindível, também, que os alunos vivenciem situações de uso e reflexão, e retornem ao uso para aperfeiçoar seus conhecimentos. Por esse motivo procuramos variar as propostas apresentadas aos alunos de maneira que todos possam experimentar diferentes papéis: ora assistem a um debate entre especialistas, ora são debatedores, mediadores ou platéia. Os alunos aprendem, ainda, a preparar as pautas para um bom debate. Isso irá orientá-los durante a discussão e fará com que desenvolvam mecanismos de antecipação. Por esse motivo, alguns debates são registrados por escrito e em vídeo, para que possam ser analisados posteriormente pelos próprios alunos, junto ao professor. Nesses "debates sobre o debate", os alunos discutem sobre o que foi dito e esse aprendizado acaba sendo utilizado em debates posteriores. Além do conteúdo a ser aprendido, o debate também é uma estratégia de ensino. Torna-se necessário ensinar por meio do debate quando se acredita que o conhecimento nunca corresponde à realidade, mas é apenas uma das interpretações possíveis dessa realidade. Para que os alunos construam essa concepção de conhecimento, é necessário que aprendam os conteúdos escolares pelo contato com diversas versões sobre os objetos em estudo. Nessa ótica, o debate possibilita não apenas o surgimento de diferentes interpretações sobre os fatos estudados, mas a articulação de vários deles. Este ano, por exemplo, os alunos da escola debateram sobre a necessidade ou não de um grêmio. E isso contribui para a tomada de decisões mais conscientes. Utilizar o debate como estratégia de ensino também possibilita a criação de contextos de aprendizagem significativos para os alunos. O debate traz o aluno para a realidade da escola ou mesmo da sociedade, e isso se traduz em motivação. Estudar para comunicar o conhecimento adquirido aos colegas e discuti-lo com eles é muito mais interessante que apresentar esse conhecimento apenas ao professor no dia da prova. Volta à página inicial da Revista Vila XXI - Imprime essa Página |