Revista Vila XXI  

Projetos


A Dinâmica Em Sala de Aula

Exemplos de como os alunos da Escola da Vila desenvolvem seus conhecimentos

Dayse Gonçalves e Miriam Louise Sequerra

No artigo anterior, dedicado ao papel e a importância dos projetos como um tipo de modalidade organizativa para se ensinar determinados conteúdos na escola, ficou patente a potencialidade deste tipo de estratégia (pedagogia), porque além de permitir que os próprios alunos tomem decisões sobre aspectos do trabalho proposto sobre um tema específico, que será abordado durante um espaço de tempo acordado a priori, o que lhes confere responsabilidades acerca do sucesso da empreitada, também reveste de significado - como também já foi dito - os muitos desafios (em forma de situações de aprendizagem) que o professor proporá ao grupo-classe e a cada aluno individualmente.

E nesse contexto, o que chamamos "responsabilidade" ganha outras proporções, porque não nos referimos somente à responsabilidade pelo sucesso ou fracasso em relação à escolha de um tema, ou sobre a qualidade plástica do produto final. Referimo-nos a um grau diferenciado de participação do aluno em cada uma das tarefas, tanto nas que mais lhe agradam quanto nas que menos agradam, porque a sua necessidade está justificada enquanto uma tarefa dentre outras numa dada etapa necessária à consecução de uma meta. Há mais qualidade em tudo sim, em cada um dos ofícios do aluno relacionados à execução do projeto (talvez em uma casa, do alicerce à decoração moderna ou sofisticada, fosse uma boa imagem), embora competências estejam sendo construídas no momento mesmo em que o produto vai ganhando forma. Diríamos que é uma qualidade proporcional ao esforço intencional e à significatividade que cada tarefa ganha nesse contexto.

A apresentação da proposta - Geralmente as decisões que justificam a opção pelo desenvolvimento de um determinado projeto estão relacionadas às intenções no aprofundamento de conhecimentos de certos temas e conteúdos.

No caso do "Livro da Família", para usarmos um exemplo citado no artigo anterior, a experiência que as crianças de 2ª série possuem com as narrativas lhes permite revisitar os conteúdos envolvidos, construindo novas competências enquanto leitores e escritores. Assim, quando lhes é proposto essa maneira de comunicar alguns resultados do estudo que vão realizar na área de Ciências Sociais, ou seja, através da escrita da história de vida de alguns familiares, as crianças já têm elementos para refletir sobre o que sabem e o que necessitam aprender para dar conta da empreitada.

Num primeiro momento é pedido que pensem sobre as muitas tarefas que a elaboração do produto pressupõe - desde a coleta de informações até a forma que o produto assumirá. No caso da construção das trilhas nas classes de G.4, na etapa de apresentação, é importante levar as crinças a refletir sobre a melhor forma de se organizar para o trabalho. Se dividirão em pequenos grupos e cada grupo construirá uma trilha ou cada criança do grupo terá uma tarefa específica para realizar.

A busca de informações - Para elaborar seu produto, os alunos precisam se dedicar a várias atividades destinadas à ampliação de seus conhecimentos sobre o tema abordado. Consultarão diferentes fontes e vão se dedicar a uma série de pesquisas. Quando a primeira série dedica-se à produção de um álbum ilustrado dos animais, cada criança tem de recorrer à leitura de textos informativos, observar ilustrações e fazer visitas ao zôo. As informações assim obtidas darão os subsídios necessários para a escrita das legendas e a produção das ilustrações necessárias.

A elaboração do livro das famílias pressupõe que os alunos da segunda série entrevistem pais e avós, façam apreciações de fotos e objetos. O mesmo acontece com os alunos do Grupo 4. Para realizar o seminário sobre a vida na Grécia Antiga, participaram da leitura de mitos, acompanharam as epopéias de alguns heróis gregos, consultaram mapas e recorreram a obras de arte.

Este saberes, necessários para que cada classe possa se dedicar à produção do trabalho, envolvem, por sua vez, diferentes procedimentos para sua obtenção que também são considerados "conteúdos de aprendizagem". A partir deles se aprende a selecionar informações, ouvir diferentes narrativas (no caso do estudo sobre a Grécia e das Famílias), e identificar o modo de vida de uma época.

A elaboração do produto e finalização - Definido "o que dizer", os alunos trabalharão no "como fazer". Outra característica importante desta etapa são as inúmeras idas e vindas ao produto, que pode ser um texto ou um tabuleiro de jogo, com a perspectiva de melhorá-lo, aprimorá-lo, detectar problemas e encontrar soluções. No caso de um projeto de língua, muitas situações de revisão são propostas para que as crianças analisem a qualidade de seu trabalho, detectem incoerências ou imprecisões e pensem no modo de saná-las. É através de cada uma das tarefas que realizam que o grau de conhecimento sobre determinado conteúdo se amplia.

Enfim, escrever um livro, construir um jogo ou participar da elaboração de um jornal mural requer vários conhecimentos. Ter idéias, saber tomar decisões, executar uma tarefa, rever o trabalho e refazê-lo, etc. referem-se a alguns dos procedimentos envolvidos nas etapas do trabalho. Todos estes saberes não se constróem naturalmente, como conseqüência do simples fazer, são procedimentos que se aprende refletindo sobre o que se faz e dos quais pode-se lançar mão conscientemente. Em outras palavras, é o que chamamos de "aprender a aprender".


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